| ROSSIO DA SENHORA DO MONTE

Antes de começarmos a falar sobre este espaço, é importante fazermos referência à igreja que lhe deu o nome.
Pensa-se que a sua evocação era de Nossa Senhora da Natividade, que estava situada no local onde foi construído o edifício da Escola Primária (actual SRFUA , Sociedade Recreativa Filarmónica União Artística) .
O templo foi fundado pelo cavaleiro santiaguense João Estaço e construído entre a primeira metade do séc. XVI e o terceiro quartel da mesma centúria (V. Barata1993:30; Pereira e Falcão 1988:162,163; Silva 1869:57 ; Silva 1992:105). Aí, foi sepultado até à demolição da Igreja e foi transladado para o cemitério da Vila em 1923.
Este templo serviu de matriz durante as obras de reconstrução da Igreja de Santiago Maior (Silva 1869:57) , prova das suas médias dimensões, tendo uma só nave, cobertura interior de madeira e uma torre sineira construída em 1797. No ano de 1803, a igreja já se encontrava bastante degradada e inicia-se uma campanha de obras a favor da sua reconstrução e recuperação, nomeadamente no telhado do corpo da igreja, na capela -mor, no corredor, na sacristia velha e na sacristia nova (V.A.M.S.C., Livro de Registo de Arrendamentos dos Bens e Rendas do Concelho de 1 de janeiro de 1793 a 30 de julho de 1803:133,134).
Em 1858, com o terramoto que assolou o país inteiro e que se fez sentir fortemente em Santiago do Cacém, a igreja voltou a sofrer estragos fazendo avançar o seu estado de degradação.
Em 1922/23, o então executivo da Câmara Municipal toma a triste iniciativa de destruir o imóvel religioso, tendo utilizado para o efeito dinamite para apear a sua torre setecentista. Em 1923, no dia 17 de abril, há uma solene e pomposa transladação dos restos mortais do fundador para o cemitério municipal, onde hoje se encontram juntamente com a lápide sepulcral original. Tendo por base uma transcrição dum documento sobre receitas do Município, vimos que metade do terrado rendia para a Câmara 12$00 réis por ano. Há indicios que levam a supor que a outra metade do valor das receitas era para a Igreja e seria esta que instituiu a Feira do Monte.
A acta de 2 de maio de 1750 constatamos esta relação entre Igreja e Câmara na realização da feira:
“Os officiais da Camara propos a Igreja da adeministração da Camara e correr a fabrica della por conta da mesma e ter a mesma Igreja o rendimento da metade do terrado da feira que todos os anos que nela se faz digo que no Rocio da mesma Igreja se faz e a outra metade o Concelho.”
Através de outros documentos, podemos constatar que a Feira seria realizada a 8 de setembro, também o dia da festa da padroeira dela Igreja, que seria denominada popularmente pela Igreja da Nossa Senhora do Monte, por estar situada no cima de um monte, e ao seu isolamento em relação à vila que, nesse tempo, não devia ter descido muito pela encosta, desde o castelo em direcção ao vale.