| RUÍNAS DE MIROBRIGA

Estas ruínas, com uma área de cerca de 2 km2, pertencem a uma povoação fundada no final da idade do Bronze, posteriormente romanizada e, por fim, abandonada no século IV.
Conhecidas desde século XVI, as ruínas foram objeto de escavação no início do século XIX, a mando do então bispo de Beja, D. Frei Manuel do Cenáculo; mas só na década de 1940 se iniciaram trabalhos de pesquisa com uma base científica e sistemática.
As razões para a existência de uma povoação neste local prendem-se com a necessidade de assegurar o controlo territorial de uma vasta área com relevância económica, nomeadamente em recursos marítimos, agrícolas e mineiros. Miróbriga tornar-se-ia uma típica cidade romana, com um imponente forum, uma complexa zona termal e, nos arredores próximos, um hipódromo de grandes dimensões.
Curiosamente, a urbanização de Miróbriga na época romana não obedeceu às tradicionais linhas ortogonais, em virtude da anterior ocupação e da própria topografia do local, organizando-se em ruas sinuosas que irradiam a partir da zona mais elevada. Nesta secção mais elevada de Miróbriga, conhecida localmente por “Castelo Velho”, situa-se o antigo forum, erguido em meados do século I d.C. No seu centro é visível um templo, que se crê ser dedicado ao culto imperial, e um outro, consagrado a Vénus. No forum também se encontram vestígios de um templo da Idade do Ferro que os Romanos terão mantido por respeito a um culto já celebrado no local.Na encosta sul da acrópole, que corresponderia a uma área comercial, destacam-se dois edifícios: uma loja, possivelmente um talho, que ostenta um pequeno relevo figurando uma cabeça de touro; e uma eventual taverna, que ainda mantém uma sala de refeições revestida por pinturas a fresco. Existem outras construções com vestígios de decorações a fresco em Miróbriga, mas o curioso é não terem sido encontrados quaisquer mosaicos.
Ao fundo de uma rua ladeada por ciprestes, de lajeado ainda completo, surgem as antigas termas – um dos conjuntos mais vastos e bem conservados do país.
Ao fundo de uma rua ladeada por ciprestes, de lajeado ainda completo, surgem as antigas termas – um dos conjuntos mais vastos e bem conservados do país.
Construídas entre os séculos I e II d.C., são compostas por dois edifícios dispostos em L. Cada um dos edifícios apresenta as divisões habituais neste tipo de construções públicas: uma zona de entrada, com salas de vestiário e jogos; uma zona de banhos frios (frigidarium); e outra de banhos aquecidos (caldarium e tepidarium). Uma grande latrina servia os dois edifícios. Próximo deste complexo termal encontra-se uma pequena ponte em arco pleno.
Afastado da povoação, a cerca de 1 km, está o antigo hipódromo, exemplar único no nosso território. Construído na segunda metade do século II, deve ter tido bancadas em materiais perecíveis, pois apenas subsistem vestígios de uma antiga porta triunfal.
Afastado da povoação, a cerca de 1 km, está o antigo hipódromo, exemplar único no nosso território. Construído na segunda metade do século II, deve ter tido bancadas em materiais perecíveis, pois apenas subsistem vestígios de uma antiga porta triunfal.
No ano 2000 foi edificado, por iniciativa do Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR), um centro de acolhimento e interpretação onde também se expõem alguns dos artefactos recolhidos nas escavações.